A comunicação que comunica ação
APRENDENDO A DESENVOLVER SUA PERCEPÇÃO
Comunicação é comunicar uma ação, ou fazer com que nosso interlocutor responda a um estímulo com uma palavra ou uma ação qualquer. Obter essa resposta do outro pode não ser tão simples assim. É preciso desenvolver a percepção.
O primeiro passo no desenvolvimento da percepção é abrir mão dos preconceitos e filtros incorporados à nossa visão crítica.
Os estímulos que acontecem ao nosso redor não passam de estímulos. Os efeitos reais de sons, cores ou significados dependem de como os recebemos, interpretamos e reagimos. Essa visão holística da comunicação envolve elementos como emissor, receptor, meio, mensagem, ruído, feedback e resposta.
DISSECANDO A COMUNICAÇÃO
Pense em emissor como tudo aquilo que gera alguma mensagem. Essa mesma mensagem precisa de um meio para circular ou ser transportada até seu destino, os receptores. São inúmeros os elementos que tentarão se interpor no processo para fazer a mensagem tropeçar na viagem. São os chamados “ruídos ou interferências da comunicação”. Qualquer coisa que seja um obstáculo à comunicação pode ser considerada ruído.
Quem comunica espera que seu ato gere uma ação. O receptor da mensagem, gera uma resposta que deverá chegar ao emissor passando pelos mesmos ruídos e gerando o feedback para uma avaliação que será feita pelo emissor original.
COMUNICAÇÃO INTEGRAL
Iniciada na percepção dos estímulos exteriores e sua interpretação, a comunicação, concebe e ordena os pensamentos que irão gerar nossa resposta a esses mesmos estímulos. Nosso corpo se comunica e tudo aquilo com que somos capazes de interagir acaba se comunicando também. Cores, formas, sons, imagens, enfim, tudo aquilo que recebemos ou geramos, comunica algo sobre o elemento que o gerou. Daí a importância de coerência na comunicação corporativa. Não basta criar uma logomarca bonita para nossa marca conversar com o mercado de maneira satisfatória. Seria ingenuidade acreditar nisso, na medida em que há tantos geradores de estímulos em paralelo.
É prudente cuidar de nossa comunicação, para não deixar dúvidas dos nossos objetivos, mas isso só acontece quando conseguimos um perfeito sincronismo com nosso interlocutor.
ALINHANDO LÁBIOS E CORAÇÕES
Qualquer tentativa de comunicar algo estará fadada ao fracasso se antes não existir um perfeito sincronismo de sinais. Às vezes são sinais incompreensíveis, como os gerados por um modem tentando se conectar à Internet.
Usamos a palavra francesa rapport para descrever essa capacidade. Rapport exprime a capacidade de se entrar numa mesma freqüência. Postura, expressões, entonação, gestos, olhares. Garantir um rapport entre dois modems, é uma coisa, mas fazer o mesmo com pessoas é algo bem mais complexo.
ELIMINANDO DISTÂNCIAS NA COMUNICAÇÃO
Um telégrafo vive em um mundo completamente diferente do celular, assim como são diferentes as pessoas em razão de suas línguas, culturas, crenças, costumes ou opiniões. Quando me encontrei diante do desafio de me comunicar com uma criança com múltiplas lesões, entendi melhor que as diferenças nem sempre são deficiências. Para quem nasceu de um jeito, diferente é o outro. Vivíamos em mundos diferentes e seria preciso construir a ponte da comunicação entre nós.
Ninguém inicia um processo bem-sucedido de comunicação sem antes estabelecer propósitos. O resultado final nunca deve ser mais importante do que uma relação permanente de troca.
É importante entender que o relacionamento de comunicação deve ser criado para durar, mas a mensagem em si, nunca deve exceder o tempo viável de retenção da atenção.
COMPETINDO POR ATENÇÃO
Vivemos imersos numa cultura imediatista que busca resultados instantâneos e satisfação imediata. Um cenário onde sobram informações. A grande competição existente hoje é por atenção.
Para se comunicar bem é preciso antes buscar uma atitude de quem deseja dar, antes, de pensar em receber. As melhores ações de comunicação são frutos de uma paixão por oferecer algo a alguém. Quanto maior o valor dado ao outro e a importância do que se deseja comunicar, maior deve ser a porta aberta para isso. Todo ato de criação é, antes de tudo, um ato de destruição. É provável que para escancarar a porta de sua garagem e permitir que outros tenham acesso às suas idéias, você precise arrancar alguns tijolos que estavam ali há anos. Uma boa comunicação não começa perguntando o quanto posso ganhar, mas o quanto estou disposto a dar ou quantos tijolos posso remover.
Se tiver algo para oferecer e acreditar ser algo que pode ajudar seu interlocutor, terá dado o primeiro grande passo no processo de comunicação.
FLEXIBILIDADE, CLAREZA E OBJETIVIDADE NA COMUNICAÇÃO
É a pessoa que quer comunicar algo que deve aprender a língua do outro, não o contrário. Neste momento você é o emissor que busca aprender com seu receptor. Se a bolinha de pingue-pongue for sua mensagem, e a raquete a mídia que veicula sua ação, o jogo é a comunicação.
Na comunicação é dever de quem dá o saque com a mensagem fazer com que esta fique ao alcance de quem a recebe. Emissor e receptor são funções que se revezam no vai-e-vem da bolinha-mensagem e, em toda comunicação existe o ruído que pode impedir sua mensagem de chegar ao destino. Cabe ao emissor evitar os obstáculos, e não esperar que o outro o faça.
Comunicação é uma ação progressiva de pró-atividade que vai corrigindo o conteúdo, formato e percurso de sua mensagem a cada tacada, permitindo que a próxima seja melhor que a primeira. No processo, nem a rede, nem o interlocutor podem ser responsabilizados por algum fracasso. Só você.
FAZENDO A LEITURA CORRETA DE SEU INTERLOCUTOR
Na comunicação, tão importante quanto a ação de dar é a de saber receber e entender o que se recebe. O esforço em codificar a mensagem é fundamental para seu sucesso. De nada adianta uma comunicação que não captação de feedback. A capacidade de ouvir é necessária para uma comunicação. Fala-se em comunicação institucional, promocional e interpessoal.
Institucional é aquela que não exige qualquer ação de seu interlocutor. Já a comunicação promocional é imediatista e exige uma resposta na forma de uma ação.
A porta por onde sua comunicação sai é a mesma por onde a resposta entra. É você quem cria as condições para uma boa comunicação..
Se há riscos? Claro, quanto mais transparente for uma comunicação, melhor.
APRENDENDO NA ESCOLA DA VIDA
Não se iluda que uma boa comunicação possa ser garantida por fórmulas de sucesso ou títulos acadêmicos. Criatividade, imaginação e intuição são habilidades naturais que fazem parte do processo, como aprendi com o que aconteceu com meu filho no aprendizado da única palavra que consta em seu vocabulário. A única pessoa que conseguiu lhe ensinar essa palavra foi dona Ângela. Ela nunca soube o significado da palavra rapport, mas foi capaz de abrir caminho para uma comunicação falada.
Seu método foi simples e ingênuo, simplesmente frisava que iria cantar, e Pedro ficava extasiado. A palavra “cantar” ficou de tal forma impressa em sua mente que até hoje ele é capaz de pedir para alguém.
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